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sábado, 13 de junho de 2015

A IGREJA MISSIONÁRIA HOJE



 
As luzes e as sombras da atual situação da família humana se apresentam como sinais dos tempos que nos convidam à escuta e ao discernimento do que “o Espírito diz às Igrejas” (Ap 2,29), e nos provocam repensar a missão como um todo, para que a nossa ação e animação missionária seja sustentada por uma apropriada reflexão teológica, uma conversão interior e um testemunho profético.

Diante das epocais mudanças da missão da Igreja no mundo contemporâneo, o Concílio Ecumênico Vaticano II redescobria uma visão de missão fundada na Missio Dei. No Decreto Ad Gentes se afirma sem hesitação que “a Igreja peregrina é por sua natureza missionária” (AG 2). A missão antes de ser tarefa é uma essência que tem origem no amor fontal do Pai, um amor que não se contém, que transborda, se comunica e sai de si. A missão dos cristãos é, portanto, participação ao mistério de Deus e à vida divina.

Compreender a missão não como uma atividade ou uma necessidade histórica, mas como essência gratuita de Deus-Amor, é um primeiro passo para uma profunda renovação eclesial. Trata-se de passar da afirmação da “nossa” missão, à transparência da missão de Deus num testemunho sem pretensões. Podemos afirmar que não é uma Igreja que tem uma missão, mas uma missão que tem uma Igreja. A Igreja missionária hoje, portanto, é uma Igreja discípula: colocando-se no seguimento de Jesus, não se propõe como “mestra” (cf. Mt 23,8), mas como aquela que se dispõe a escutar e aprender de um Deus presente e operante na história. Daqui o mandato não de “fazer obras”, mas de “serem discípulos” e “fazer discípulos todos os povos” (Mt 28,19).

O convite ao seguimento de Jesus, salvação para nós e para todos, nos coloca sempre a caminho junto às pessoas, num estado de contínua itinerância, num êxodo pascoal de morte e ressurreição, numa travessia que requer leveza e despojamento. O discipulado nos convida a sair de nós mesmos, da nossa comunidade e da nossa terra: o discípulo é sempre um enviado. Jesus chama ao seu seguimento para enviar em missão. É preciso aprender a deixar tudo para nos aproximar gratuitamente aos pobres e aos outros.

O discipulado missionário é sempre um caminho comunitário e eclesial. O discípulo é o “irmão” por excelência, que anuncia com as suas relações que Deus é pai de todos, que em Cristo nos faz seus filhos e filhas e, portanto, irmãos entre nós: esse é o anúncio fundamental para o mundo de hoje. A missão em comunidade proclama com a vida e as palavras uma outra visão de humanidade, uma ordem de relações na qual é excluída toda forma de domínio sobre o outro. A prática da fraternidade se presenta assim como uma nova lógica de convivência universal. A comunhão e a partilha anuncia o transbordar do amor de Deus-Trindade em nossas vidas, como uma nova maneira de repensar nas relações entre as pessoas, além de todas as fronteiras, para fazer do mundo uma só família de irmãos e irmãs.

Por isso a Igreja é enviada ad gentes. A saída de nós mesmos para tornar-nos hóspedes nas casas dos outros e companheiros dos pobres, nos leva a ir ao encontro às pessoas e encarnar-nos em suas realidades, sem esperar que os povos venham a nós. Uma efetiva opção pelos pobres e pelos outros comporta um deslocamento fundamental em termos de perceber e questionar a realidade do ponto de vista das vítimas, dos crucificados, dos injustiçados, dos fiéis de outras religiões, aderindo de fato a um projeto de mundo global mais justo, solidário, e plural significativamente “outro” daquilo que temos diante dos olhos.

 Os horizontes deste movimento de proximidade são sempre os confins da terra. Crer no Evangelho e na missão é crer que não existem barreiras irredutíveis para encontrar as pessoas. A universalidade é o horizonte evangélico da missão: se essa fosse geográfica, cultural, étnica, socialmente ou eclesialmente limitada e se dirigisse somente a “nós”, ela se tornaria excludente. Ao contrário, a paixão pelo mundo, própria da vocação cristã, se expressa no sentir e no vibrar profundamente pela humanidade inteira, e em ser capaz de realizar gestos ousados e concretos de solidariedade, de partilha e de aproximação com os outros povos. Só assim nos tornaremos um sinal profético de uma nova humanidade mundial, fraterna e multicultural.

Tendo presente esses fundamentos, percebemos de estar diante de uma nova compreensão da missão e de seus sujeitos. Constituindo a essência da Igreja, a missão encontra agora nas Igrejas locais os seus primeiros protagonistas e em todos os batizados o chamado a anunciar o Evangelho. A evangelização é um dever fundamental do todo o povo de Deus: por isso é necessário uma profunda renovação interior (cf. AG 35).

A missão, elemento estruturante da identidade e da atividade de toda a Igreja, se expressa hoje num quadro complexo de situações e de interlocutores que não permite mais de interpretá-la numa única direção. Ela se apresenta como uma realidade articulada e compenetrada, com aspectos não bem definíveis entre os diversos âmbitos: pastoral, nova evangelização e missão ad gentes (cf. RMi 37). Contudo, a Igreja é convidada a nunca perder a referência da missão ad gentes, sem a qual “a própria dimensão missionária da Igreja ficaria privada de seu significado fundamental e de seu exemplo de atuação” (RMi 34).

 Também no que diz respeito às tarefas da Igreja missionária, é preciso considerar uma pluralidade de mediações que vão do ministério profético do testemunho e do anúncio do Evangelho, ao ministério sacerdotal da celebração dos sacramentos, ao ministério da caridade na fraternidade (koinonia) e no serviço aos mais necessitados (diakonia). A estas mediações essenciais precisa acrescentar: o diálogo intercultural e inter-religioso, a promoção da justiça e da paz, o cuidado com a criação, a enculturação e o compromisso com a reconciliação entre os povos. Tudo isso é parte integrante da obra de evangelização.

Por estas considerações, podemos perceber que a missão chama à conversão non somente os não-cristãos, mas antes de tudo a própria Igreja. Com efeito, “impõe-se uma conversão radical da mentalidade para nos tornarmos missionários” (RMi 49). Trata-se de “sair de nossa consciência isolada e de nos lançarmos, com ousadia e confiança, à missão de toda Igreja” (DAp 363), abandonando estruturas caducas (cf. DAp 365), transformando as nossas pessoas (cf. DAp 366), as nossas relações (cf. DAp 368), as nossas práticas pastorais (cf. DAp  370) e projetando-nos à missão ad gentes (DAp 376).

  Este novo panorama eclesial vê o compromisso missionário engajado necessariamente em duas frentes: a ação missionária no mundo, particularmente nas situações mais desafiadoras, e a animação missionária nas Igrejas locais. Por um lado, é preciso expressar a missão como diaconia ao mundo em termos de testemunho, serviço, diálogo e anúncio do Reino de Deus. Por outro lado, é preciso fazer com que toda comunidade eclesial se torne efetivamente protagonista da missão através uma incessante atuação de animação e motivação.

Neste segundo âmbito cabe lembrar que é dever continuar a promover uma específica animação e formação missionária em ordem a uma consagração ad vitam à própria missão. Sem missionárias e missionários consagrados não há missão nos âmbitos mais exigentes. Bento XVI recorda que “a vida consagrada resplandece em toda a história da Igreja, pela sua capacidade de assumir explicitamente o dever do anúncio e da pregação da Palavra de Deus na missio ad gentes e nas situações mais difíceis” (VD 94c). Esse testemunho não pode desaparecer ou ficar “diluído” na missão global de todo o povo de Deus (cf. RMi 34): quanto mais a missão for proposta na sua autêntica radicalidade, tanto mais será afirmado seu significado e seu valor para a vida de todos os batizados.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

"Ide, fazei discípulos meus todos os povos!



“Igreja existe para evangelizar”
(Evangelii Nuntiandi – Papa Paulo VI)


Na revelação bíblica, a missão está intimamente relacionada à história da salvação, ao desejo de Deus de "que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade." (ITm 2,4) Por isso a missão está ligada ao envio: "Ide, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei." (Mt 28,19-20) 
Esse envio justifica e motiva a missão da comunidade cristã.

         O motivo primordial da missão é e sempre será o mandato missionário que Jesus Cristo deu aos apóstolos e aos discípulos no termo de sua existência terrena. É um ato de obediência fundamental que a Igreja deve prestar, até o fim da história, à vontade de seu autor. Por isso a Igreja procurou sempre tomar consciência de sua natureza evangelizadora. 
         A evangelização exprime a identidade, a vocação própria da Igreja, sua missão essencial: "Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, sua mais profunda identidade." (Paulo 6° "Evangelii nuntiandi", 14)
        Os cristãos não podem permanecer passivos, reduzindo, muitas vezes, sua pertença eclesial a momentos rituais. É preciso colocar toda a Igreja em "estado permanente de missão".
    
   Quando falamos da atividade missionária da comunidade eclesial, precisamos passar da missão à missionariedade, do objeto (o que fazer) ao sujeito (quem vai fazer) do mandato missionário. 
        A Igreja deve permanecer sempre a serviço da pessoa humana, colaborando concretamente para a libertação da humanidade. Também, a defesa dos direitos humanos, da dignidade da pessoa, não é oportunismo ou modismo, mas sinal de fidelidade e de autenticidade da missão evangélica da Igreja.
  
      A Igreja missionária a serviço do Evangelho faz dela uma de suas características fundamentais. Optar pelo pobre "é condição necessária e irrenunciável do caráter evangélico da ação da Igreja." (CNBB Diretrizes Gerais da ação Evangelizadora, 194) É claro que assumir, sem meios termos, a causa dos excluídos e excluídas exige uma verdadeira reviravolta na própria vida. Daí "a necessidade de uma conversão de toda a Igreja para uma opção preferencial pêlos pobres, no intuito de sua integral libertação." (Documento de Puebla, 1134). Neste  Documento de Puebla, n° 562, a missão da Igreja "é imensa e mais do que nunca necessária. Para cumpri-la, requer-se a ação da Igreja toda — pastores, ministros consagrados, religiosos, leigos, cada qual em sua missão própria. 
       
    
   Na síntese da 3ª parte do Doc.Ap. ressalta que “A Igreja, para ser toda ela missionária, necessita:
desinstalar-se de seu comodismo, estancamento e tibieza; converter-se em um poderoso centro de irradiação da vida em Cristo; experenciar um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão e da acomodação; renovar as estruturas eclesiais, abandonando as ultrapassadas; passar de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária”. 

Não deve ser para nós um motivo de Glória sermos chamados de Missionários, porem apenas cumprimos com a nossa obrigação. Pois, como batizados já somos missionários, e quem não cumpre com essa realidade é que está negando o seu batismo.

Documentos

Os documentos do Concílio, especialmente a Lumen Gentium (Luz dos Povos, Constituição Conciliar sobre a Igreja), a Gaudium et Spes (Alegria e Esperança, Constituição Conciliar sobre a Igreja no mundo contemporâneo) e o Ad Gentes (Aos Povos,Decreto Conciliar sobre a atividade missionária da Igreja), tratam de novas realidades no campo da evangelização, aprofundando-se na natureza da Igreja como “sacramento universal de salvação”. Os documentos pós-conciliares, especialmente a Evangelii Nuntiandi (A Evangelização no Mundo Contemporâneo — Papa Paulo VI, 1975) e a Redemptoris Missio (A Missão do Redentor — Papa João Paulo II, 1990), definem conceitos missiológicos e abrem novos horizontes à Missão eclesial.


terça-feira, 2 de junho de 2015

A INTIMIDADE COM DEUS TRANSFORMA A VIDA DAS PESSOAS!




O Senhor precisa de pessoas que manifestam inquietude diante da realidade sofrida de seu povo. É com estes missionários sensíveis e generosos que Deus poderá construir um mundo mais irmão, mais justo, enfim, o Reino pelo qual o Senhor Jesus veio e deu sua vida. Portanto, para vivenciarmos melhor o mês missionário, devemos nos preparar desde já. Para tal, colocaremos a seguir algumas reflexões e algumas dicas que poderão nos ajudar.

O espírito missionário se fundamenta na experiência de Deus

A experiência de Deus não é um momento de particular iluminação que resolve e esclarece tudo e de uma só vez, mas um caminho a ser percorrido passo a passo. Deus se manifesta geralmente através de coisas simples e, muitas vezes, despercebidas em nosso agitado dia a dia. Por isso, é importante, como se diz na gíria, “ficar ligado”.


A experiência de Deus se dá de uma forma muito íntima e pessoal, mas também dentro de uma vivência comunitária. Esta experiência se concretiza de forma ainda mais completa se a comunidade for rica de pessoas que, através da oração e do serviço, já realizaram um profundo encontro com Deus.
Escrevendo aos Coríntios (Cor 15, 1-11), o missionário Paulo mostra que a intimidade com Deus transforma a vida das pessoas. A experiência de Deus é como o eixo de uma roda, ou seja, o centro que a sustenta. Assim é a espiritualidade. Ela anima, sustenta, mantém viva e atualiza a nossa missão.

Só pode falar de Deus quem é capaz de ouvi-lo

Deus nos fala de muitas formas, mas a Bíblia é o seu principal meio de comunicação. Antes de sermos missionários, devemos ouvi-lo! Para podermos ter energia para o nosso trabalho diário, diariamente nós nos alimentamos. E se não o fizermos, ficamos fracos, sem vitalidade. Conseqüentemente, ao invés de ajudar, precisamos ser ajudados.
É isso que acontece com a nossa fé, com nossa vivência cristã e missionária caso deixemos de nos saciar diariamente na fonte:

- a Palavra de Deus. É ela que sustenta e renova nossas forças para a longa e difícil caminhada de uma vida comprometida.
A Bíblia é o meio privilegiado para estarmos juntos de Jesus, para conversarmos com ele sobre a vida, a vida que Ele viveu e a missão que passou aos apóstolos e a todos nós:
- “Ide, fazei discípulos meus todos os povos...” (Mt 28,19)


sábado, 30 de maio de 2015

COMIDI’s, COMIPA’s e GAM’s



Estruturação de COMIDI’s, COMIPA’s e GAM’s em 8 pontos:


Os 4 pontos fundamentais:

1.       Fundamentos: Ter uma visão de missão ligada à natureza da Igreja. Teologia da Missão atualizada e correta, pelo Vat. II e Aparecida. Missionário não apenas como um âmbito.
o    “Não é uma Igreja que tem uma Missão, mas é a Missão que tem uma Igreja!”

2.       Conversão da Igreja: caminho de conversão missionária. Espiritualidade Missionária.
o    "Só uma Igreja Povo de Deus pode ser uma Igreja Missionária."

3.       Pastoral Missionária (local): Missão Continental, colocar a Igreja em Estado Permanente de Missão. Sair, ir ao encontro dos presos, enfermos, famílias.
o    MISSIONÁRIO = ENVIO

4.       Animação Missionária (Universal): feita com a comunidade paroquial e diocesana, é um convite a se abrir para além de suas fronteiras.
o    "O nosso povo é chamado a ser irmão de outros povos."

Os 4 pontos norteadores da Animação Missionária:

1.       Papel da AM (Animação Missionária):

o    A Animação Missionária "tem que ter um local central na Igreja Local" (RMi).

o    Ver na Cooperatios Missionaris o papel da AM.

o    Refletir em nível de pastoral orgânica.

2.       Tarefas da AM:

o    Informação

o    Formação

o    Animação - criar eventos

o    Cooperação - projetos, solidariedade com outras igrejas.

3.       Sujeitos da AM:

o    COMIPA / COMIDI: estes compostos por representantes das POM, Congregações Religiosas Missionária (CRB Dioc. por exemplo), representantes das Igrejas locais em caso de conselho diocesano e representantes das pastorais em caso de conselho paroquial.

o    CDP / CPP são diferentes de COMIDI / COMIPA: CDP ou CPP focam a Pastoral da Igreja, já COMIDI ou COMIPA focam a Animação Missionária.

4.       Articulação da AM:

o    Precisa de gente convencida e capacitada na dinamização.

o    A articulação sempre depende de um pequeno grupo, seja em âmbito paroquial ou diocesano. Este pequeno grupo é aquele que puxa (não o que faz).

o    O ganho da AM depende do nível de sensibilização.

o    A Pastoral Vocacional é um aliado fortíssimo do COMIDI.


"A Missão não é meta, é caminho!"



ORAÇÃO
Espirito Santo, que desceste sobre os Apóstolos e os fizeste anunciadores do Evangelho, derrama os teus dons sobre cada um de nós e torna-nos sensíveis aos apelos e às necessidades dos nossos irmãos.
Desperta nos corações das crianças, jovens, adultos e idosos, o ideal missionário.
Dá força e coragem a todos quantos se entregam totalmente ao serviço da missão.
Amém!



terça-feira, 26 de maio de 2015

Missão Ad Gentes



A missão aos povos sempre foi, é e sempre será a grande tarefa da Igreja, assumida por suas comunidades às vezes com certa resistência. Repetidas vezes se tenta minimizar, postergar ou até depreciar esse desafio, com a desculpa‐urgência que a missão está aqui no nosso meio, ou que a missão passou a ser outra coisa. Acabar com a missão ad gentes é acabar com a graça da missão. Assim como a palavra “missão”, também a palavra “míssil” vem da mesma raiz “missio”, que quer dizer “envio”. O míssil não é feito para ficar parado. Da mesma forma a Igreja também não é feita para ficar apenas constituída em suas instituições, em seus assentos e em suas estruturas: ela foi criada para pegar fogo e se lançar ao mundo. Essa é sua natureza!

Talvez o receio de invadir o espaço do outro, de importunar as culturas, de promover sem
querer uma conquista espiritual com as melhores das intenções, nos leve a um preconceito e a uma relutância contra essa perspectiva. Os traumas e as cicatrizes do passado contam de profundas feridas na alma dos nossos povos. É uma história que não gostaríamos de repetir sem mais nem menos.

É fundamental, como dissemos, ter discernimento, atitude penitencial e aprender a prestar
atenção às assimetrias criadas por sensos de superioridade e aproximações voluntaristas. Por outro lado, o Pe. Comblin nos convida também a essa interessante reflexão:
“A irredutibilidade das culturas tende a desanimar toda tentativa missionária. Em certos
casos, ela levou a propor certas posições pastorais que são válidas até certo ponto e de modo muito relativo. Assim a evangelização do semelhante pelo semelhante. O evangelho tende a mostrar que, muito pelo contrário, a evangelização radical é obra do estrangeiro. 

Uma mensagem comunicada pelo semelhante ao semelhante reduz‐se facilmente a um puro monólogo. O interlocutor ouve‐se a si mesmo e encontra prazer e satisfação na palavra, porque ele se ouve e se reconhece. Com essas condições não há evangelização possível. Pois esta vem da parte de fora e exige que o sujeito se abra a uma novidade e esteja disposto a romper os seus hábitos mentais e vivenciais. Jesus foi um estrangeiro, e todos os missionáriostambém aparecem como estrangeiros. Não procuram ocultar essa condição. Jesus não quis atenuá‐la no caso dos seus discípulos: não os mandou para os seus semelhantes e sim para todas as nações do mundo cuja cultura lhes era completamente alheia”.

E continua: “Crer na missão é também crer que há em todas as pessoas uma abertura fundamental, uma capacidade de recepção de mensagens situadas além da cultura, um apelo virtual a uma luz própria. Crer na missão é crer que a pessoa não fica presa dentro da sua cultura, isto é, dentro de uma personalidade autônoma e fechada”.25

Que o Espírito do Senhor nos ensine sempre a crer firmemente na missão, a não viver uma fé introvertida e intimista, e nos abra continuamente as portas para sair de nós mesmos, de
nossas comunidades e movimentos, de nossas paróquias e de nossas dioceses. “Para nos
converter e uma Igreja cheia de ímpeto e audácia evangelizadora, temos que ser de novo
evangelizados” (cf. DAp 549) no encontro com os povos, com os outros, com os pobres, além de toda fronteiras, como discípulos missionários comprometidos com a transformação do Brasil para um mundo melhor.

Pe. Estêvão Raschietti, sx

sábado, 23 de maio de 2015

Nossa missão é...

Grato eu estou Senhor porque me confiaste a missão de proclamar o seu eterno amor! Mesmo sendo tão pequeno, me deste autoridade de em seu nome anunciar a paz e a liberdade...


sexta-feira, 22 de maio de 2015

ENVIO MISSIONÁRIO


"Vai meu irmão, minha irmã! Lá, em tua nova missão, em tua nova terra, em tua nova pátria, anunciarás Jesus Cristo e o seu Evangelho, servirás aos pobres, aos excluídos do banquete da vida, lavando-lhes os pés, falarás com quem nunca andou ou não anda mais conosco.
Tu te aproximarás com muito carinho a um povo com cultura e tradições diferentes. Chegando lá, estranharás, sem dúvida, os costumes e usos locais. Mas, não imporás as tuas ideias! Não apresentarás o país que te viu nascer como paraíso! Não dirás nunca que no lugar onde te criaste, as coisas estão bem melhores! Não darás nunca a impressão de que vieste para ensinar, para civilizar, para instruir, para colonizar! Jamais violentarás a alma do povo que, doravante, será o teu povo!
Oferecerás simplesmente o testemunho de tua fé, de tua esperança e de teu amor, e darás a tua vida até o fim, até as últimas consequências!
Assim, tu terás o privilégio e a felicidade de viver a graça de todas as graças! Encontrarás o Senhor que disse: 'Depois que eu ressuscitar, irei à vossa frente para a Galiléia' (Mc 14,28). Missão é sempre ir à Galiléia, às Galiléias de todos os continentes!
Nossa Senhora Aparecida, de Nazare, de Guadalupe e "de tantos nomes mais" te proteja sempre e em todos os lugares por onde andares!
Agora, meu irmão, minha irmã, é hora de partir! Desata e enrola de uma vez a tua rede, pega a tua boroca ou mochila, despede-te de pai e mãe, da família, de quem te ama e a quem tu amas! E vai em frente! Vai em frente! Segue o teu caminho e não olha mais para trás!
Todo mundo vai rezar por ti! Vai acender velas ao pé da Santa! Vai com Deus! Vai com Deus! Amém! Amém!”

Dom Erwin Krautler

A MISSÃO!





A missão vem do PAI: “O Pai que está no céu não quer que se perca um só destes pequeninos” (Mt 18,24). É Ele o dono da messe, o proprietário da vinha que envia seus servos a trabalhar e recolher os frutos. Para isso Ele precisa de muitos operários.

A missão vem do FILHO: “Deus amou de tal maneira o mundo que lhe deu seu filho único para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Jesus apresenta-se como o missionário do Pai. A Ele o Pai deu “todo o poder”.

A missão vem do ESPÍRITO SANTO: “Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas até os confins do mundo” (At 1,8). Sem o Espírito Santo a obra missionária do homem não vale nada. É o Espírito Santo que distribui os carismas para a utilidade de todos e inspira a vocação missionária.

A função da Igreja, através de todos os batizados, é realizar a missão de Jesus: ser mediadora, ser fiel, encarnada na realidade, doar-se completamente, até o martírio... A Igreja deve pregar a boa nova a todos os homens!

Missão é paixão! Cristo quer cristãos apaixonados por Ele, pelo seu Reino, pelos esquecidos do mundo inteiro... Assim como Paulo, Francisco Xavier, Teresinha, Madre Teresa de Calcutá, inúmeros missionários dos cinco continentes, que partiram de nossas comunidades... Se sentiram levados e animados por essa paixão.




“O missionário
deve ter consciência
de que trabalha numa obra

de altíssimo mérito,
mas árdua e penosa.
Ele deve ser como a pedra
escondida debaixo da terra.
Ela talvez nunca venha à luz, 
mas faz parte dos alicerces
de um novo e imenso sacrifício.
O Missionário
deve estar disposto
a ocupar o último lugar.
Isso muitas vezes significa
trabalhar, cansar e suar
sem que ninguém fique 
sabendo o que ele faz,
a não ser Deus.”



Daniel Comboni






quinta-feira, 21 de maio de 2015

O PERFIL DE UM MISSIONÁRIO



.O missionário tem na cabeça:
A fé no valor do povo.
Nos olhos:
A capacidade de enxergar a presença de Deus na realidade.

Nos ouvidos:
A escuta respeitosa e atenta.

Na boca:
O sorriso da alegria e da esperança.

Nos braços:
A resistência e a luta pelo Reino.

Nas mãos:
A disponibilidade solidária.

Nos pés:
A itinerância e capacidade de desinstalar-se e sair.

No coração:
A paixão pelo Cristo e pelos pobres.

No ventre:
A VIDA!



quarta-feira, 20 de maio de 2015

Ser Discípulos do Senhor!



Um dos caminhos da gênesis do discipulado nasce da pergunta: “Mestre onde moras? Venham e vocês verão. Então eles foram... E começaram a viver com Ele”, Jo (1,38-39). Tudo se dá a partir do “Encontro”. Ser discípulo é bem mais do que ser “adepto de uma pessoa”. No itinerário da missão apresentado por Jesus, ser discípulo é ver Nele o único Mestre, é fazer de seu Projeto o ideal de vida.

Na contínua busca da descoberta do que venha ser discípulo, encontraremos em (At 11,26) uma grande inspiração quando diz: “... Em Antioquia chamaram pela primeira vez os discípulos de cristãos”. E o que é ser cristão? É ser discípulo de Cristo no sentido de segui-lo e estar ligado a Ele pessoalmente, manifestando assim, a experiência do “Encontro”. É neste contexto que se fundamenta a vocação missionária. 

Os discípulos de Jesus não se limitavam a transmitir o que o Mestre havia dito, palavra por palavra, mas, a serem “testemunhas” da vida e dos fatos que Jesus realizou, anunciar o Reino e fazer com que esta realidade se tornasse possível. Os discípulos transmitindo a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, são mais testemunhas do que veículos das tradições e leis verbais. Como chegaram a ser discípulos de Jesus? O Documento de Aparecida diz: “Os que se sentiram atraídos pela sabedoria das suas palavras, pela bondade do seu tratamento e pelo poder dos seus milagres, pelo assombro inusitado que despertava sua pessoa chegaram a ser discípulos de Jesus” (DAp 21).

Jesus, ao contrário dos mestres da época, era um Mestre itinerante. Não formou, por isso, discípulos sedentários, mas os associou a suas andanças missionárias. O discípulo é chamado a ser missionário e este, por sua vez, deixar ser “disciplinado” pelo Mestre.
A tarefa do discípulo, a exemplo do Mestre e sob o impulso do Espírito, é a de construir a verdadeira comunhão entre os homens. Ele só pode ser construtor da Comunhão porque já vive a comunhão. “Somos missionários por sermos Igreja que vive na unidade do amor e não tanto por aquilo que fazemos” (RM, 23).


“Não se pode testemunhar Cristo sem espelhar a Sua imagem, que é gravada em nós por obra e graça do Espírito. A docilidade ao Espírito permitirá acolher os dons da fortaleza e do discernimento, que são traços essenciais da espiritualidade missionária. (...) Como então, hoje é necessário rezar para que Deus nos conceda o entusiasmo para proclamar o Evangelho. Temos de prescrutar os caminhos misteriosos do Espírito e, por Ele, nos deixarmos conduzir para a verdade total (cf. Jo 16, 13)” (RMi, 87).