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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

10 perguntas essenciais sobre o Ano Santo da Misericórdia


Um ótimo resumo com tudo o que você precisa saber sobre este grande acontecimento da Igreja Católica!

1. O que é um Ano Santo ou Jubileu Extraordinário?
Na tradição católica, o Jubileu é o ano que a Igreja proclama para que as pessoas se convertam em seu interior e se reconciliem com Deus, por meio da penitência, da oração, da caridade, dos sacramentos e da peregrinação, “porque a vida é uma peregrinação e o homem é um peregrino” (MV 14).
Em todos os anos santos é possível ganhar indulgências, graças especiais que a Igreja concede e que podem ser aplicadas à remissão dos próprios pecados e suas penas, ou também aos defuntos que estão no purgatório.
O lema deste Ano Santo é “Misericordiosos como o Pai”, e a principal intercessora do Jubileu é Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe de misericórdia.
A cada 25 anos, a Igreja celebra um Ano Santo Ordinário. O próximo será em 2025. Fora dos anos santos ordinários, a celebração do Ano Santo é “extraordinária”.

2. Por que este Ano Santo é o da misericórdia?
O Papa quis que o tema fosse a misericórdia para nos unir mais ao rosto de Cristo, no qual se reflete a misericórdia do Pai, que é “rico em misericórdia” (MV 1). A misericórdia é superior à justiça. Deus é justo, mas vai muito além da justiça, com sua misericórdia e seu perdão. E é isso que podemos vivenciar neste Ano Santo.

3. Quando começa e quando termina este Ano Santo?
O Ano Santo começa no dia 8 de dezembro de 2015, com a celebração dos 50 anos do final do Concílio Vaticano II, e termina na festa de Cristo Rei, em 20 de novembro de 2016, o último dia do ano litúrgico.

4. O que o Papa pede que façamos?
O Papa Francisco insiste na iniciativa “24 horas para o Senhor, que desejo que seja celebrada em toda a Igreja”, entre a sexta-feira e o sábado antes do 4º domingo da Quaresma, porque “é expressão desta necessidade da oração”.
Além disso, ele aconselha que pratiquemos as obras de misericórdia, além de viver intensamente a oração, o jejum e a caridade na Quaresma (MV 17); também recomenda que nos confessemos, para poder receber melhor as graças do ano jubilar. E que cada um realize uma peregrinação, de acordo com suas capacidades, para atravessar a Porta Santa.

5. É preciso ir a Roma para atravessar a Porta Santa e ganhar indulgências?
Não. Você pode ir à catedral da sua diocese ou às igrejas e basílicas destinadas a isso. Em cada diocese haverá uma Porta Santa e, cruzando-a, você ganhará as indulgências do Ano Santo (quando a peregrinação for acompanhada de confissão, comunhão no dia da peregrinação, um ato de fé – recitação do Credo – e uma oração pelo Papa).

6. O que são as obras de misericórdia?
Existem 14 obras de misericórdia, 7 espirituais e 7 corporais.
Obras de misericórdia corporais:
1-Dar de comer a quem tem fome;

2-Dar de beber a quem tem sede;
3-Vestir os nus;
4-Visitar os doentes;
5-Visitar os presos;
6-Acolher os peregrinos;
7-Enterrar os mortos.

Obras de misericórdia espirituais:
1-Dar bom conselho;

2-Corrigir os que erram;
3-Ensinar os ignorantes;
4-Suportar com paciência as fraquezas do próximo;
5-Consolar os aflitos;
6-Perdoar os que nos ofenderam;
7-Rezar pelos vivos e pelos mortos.


7. O que são e o que fazem os “missionários da misericórdia”?
O Papa Francisco anunciou que enviará padres em todas as dioceses, chamados “missionários da misericórdia”, os quais poderão celebrar missões pregadas nas paróquias e despertar o chamado à misericórdia. Além disso, poderão perdoar pecados muito grandes, como crimes mafiosos, assassinatos cometidos para enriquecer, bem como o gravíssimo pecado da corrupção.

8. É necessário se confessar no Ano Santo?
Durante o Ano Santo, a reconciliação com Deus é vivida especialmente através do sacramento da confissão, muito unido ao da Eucaristia. É aconselhável confessar-se várias vezes ao longo do Jubileu, para experimentar mais profundamente a misericórdia de Deus.

9. Qual é a importância do Ano Santo no pontificado de Francisco?
O centro do pontificado do Papa Francisco é a misericórdia de Deus e, portanto, este ano jubilar é o cume do seu pontificado.

10. O Ano Santo é importante para outras religiões?
A misericórdia “ultrapassa os confins da terra” (MV 23); ela nos relaciona com o judaísmo, como se vê no Antigo Testamento, em que a misericórdia de Deus é evidente; também os relaciona com o islamismo, que atribui ao Criador os nomes de “misericordioso” e “clemente”. O Papa Francisco pede o diálogo com todas as “nobres tradições religiosas” do mundo.

Fonte: Aleteia

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A Eclesiologia do Documento de Aparecida - IGREJA E MISSÃO




O discurso inaugural do Papa Bento XVI na abertura da V Conferência teve uma importância decisiva na elaboração do Documento de Aparecida, pois o Papa apontava para os Desafios da sociedade de hoje:
·                    O inpacto da sociedade pluralista na fé dos católicos, que acaba por enfraquecer e relativizar a visão cristã da realidade. A visão cristã etava se limitando a visão de um humanismo atrofiado que por sua vez estava se tornando presa do hedonismo, do secularismo e do indiferentismo. Deste modo a identidade católica se vê questionada e desgastada em muitos membros da Igreja, especialmente  por cusa da ausência de uma autêntica formação cristã. Este desafio irá exigir uma séria reflexão sobre a identidade do discípulo de Cristo;   
·                    Um outro fator diz respeito às mudanças de cunho social, cultural, político e econômico que vem passando o nosso planeta.

A. A Igreja como realidade intrinsecamente missionária

Abordamos aqui, embora brevemente, a. fundamentação teológica da missão como componente essencial da Igreja. Já presente na ideia de Israel como "luz para as nações", ela se faz presente no Novo Povo de Deus através do envio dos apóstolos, por parte de Jesus Cristo, a proclamar o Evangelho do Reino a todos os povos. A Igreja recebe todo o seu sentido por estar a serviço do Reino de Deus. Esta verdade receberá uma formulação precisa no Concílio Vaticano II através da noção de sinal do Reino presente e futuro, a saber, "como sacramento universal da salvação" (LG 48).

B. Características marcantes desta missão da Igreja

Observemos primeiramente que o tema da missão atravessa todo o Documento. Desde o seu início se ressalta que a fé de muitos cristãos sofre o impacto da atual cultura secularizada exigindo, portanto, "uma evangelização muito mais missionária" (13). Igualmente a sua conclusão insiste mais de uma vez na índole missionária de todo cristão. Devemos sair ao encontro das pessoas para "partilhar o dom do encontro com Cristo", não podemos ficar passivos, devemos "proclamar que o mal e a morte não têm a última palavra", "somos todos testemunhas e missionários" (548). Para isso devemos nos converter, devemos "ser novamente evangelizadose" e estar "conscientes de nossa responsabilidade" pelos que estão afastados (549). Impõe-se "uma missão evangelizadora" que mobilize a todos (550) e que deve se concretizar numa "missão continental" (551).
O advento da sociedade moderna, pluralista, secularizada, fragmentada, significou o fim da época da cristandade. Na época da cristandade a fé cristã era hegemónica, fornecendo uma visão do mundo e normas éticas que moldavam a sociedade. Ter fé nada exigia de especial, já que todos a professavam, embora a vivessem diferentemente. A fé era um pressuposto implícito na cultura da época. A sociedade respaldava esta fé que, na maioria dos casos, carecia de uma formação cristã adequada. Deste modo podemos caracterizar a pastoral da Igreja neste período como uma "pastoral de conservação" que. hoje, se mostra insuficiente e inadequada. Devemos, portanto, voltar à pastoral de conquista que caracterizou a Igreja em seu início e que só foi abandonada pelo surgimento da cristandade e da união da Igreja com o poder civil a partir de Constantino. A atual sociedade pluralista nos oferece uma situação de Igreja em diáspora muito semelhante a dos primeiros séculos.

Outra característica do discípulo de Cristo como missionário, fortemente enfatizada em Aparecida, diz respeito à formação da própria identidade do cristão, que aparece como condição para sua vocação pastoral. Já que a fé não é mais simplesmente pressuposta, tal como se dava no passado, se impõe um encontro pessoal com Jesus Cristo. Aqui o texto retoma as palavras de Bento XVI na encíclica Deus Caritas Est (DCE 1): "Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou por uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá à vida um novo horizonte e, com isso, uma orientação decisiva" (243). Assim nasceu o cristianismo através da experiência dos primeiros discípulos com Jesus Cristo, fascinados com sua pessoa (244). Este traço também é requerido em nossos dias, pois a vocação cristã "responde ao desejo de realização humana, ao desejo de vida plena" (277).

Este encontro acontece hoje através da proclamação do kerigma (289) e implica uma experiência salvífïca pessoal, fundamento do compromisso com Jesus Cristo e com sua missão (290). Deste encontro se deslancha todo um processo de formação, que apresenta várias etapas, não só sucessivas, mas também interagindo entre si. O Documento descreve as etapas deste modo: o encontro com Jesus Cristo, a conversão, o discipulado, a comunhão e a missão (278). Discipulado está aqui significando um crescimento na vocação cristã, também do ponto de vista doutrinal, e comunhão lembra a dimensão comunitária da vida cristã com tudo o que daí decorre. Observa-se ainda que a missão é inseparável do discipulado, estando assim sempre presente na vida do cristão, embora se realize diversamente. Com relação aos pronunciamentos anteriores da Igreja o texto de Aparecida apresenta duas novidades. Primeiramente ao insistir na importância da experiência salvífïca pessoal no encontro com Jesus Cristo quando no passado a preocupação maior era com a catequese doutrinal. A outra novidade está na ênfase dada à evangelização quando no passado a pastoral estava mais centrada nos sacramentos. O fim da cristandade não se limita somente ao continente latino-americano.

A missão tal como a compreende o texto de Aparecida vem caracterizada como uma "missão a serviço da vida plena" (título do capítulo VII) e recebe base escriturística (355) no conhecido versículo de João: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente" (Jo 10,10). Esta vida é uma realidade em nós por participarmos da própria vida de Deus ao acolhermos a pessoa de Jesus Cristo (348), uma vida nova que nos incorpora a uma comunidade eclesial de outros que vivem esta mesma vida (349). Mas, como discípulos, devemos nos colocar a serviço da vida integrai como o fez Jesus ao curar enfermos, reintegrar excluídos na sociedade, saciar os famintos, perdoar os pecadores, conviver com todas classes de pessoas, sensibilizar-se pêlos mais pobres (353). Esta vida integral deverá ser vivida pelo próprio discípulo em todas as suas dimensões: "pessoal, familiar, social e cultural". Como diz expressamente o texto: "A vida em Cristo inclui a alegria de comer junto, o entusiasmo de progredir, o gosto de trabalhar e aprender, o prazer de servir a quem necessite, o contato com a natureza, o entusiasmo dos projetos comunitários, o prazer da sexualidade vivida segundo o Evangelho" (356).|

E já que "não podemos conceber uma oferta de vida em Cristo sem um dinamismo de libertação integral, de humanização, de reconciliação e de inserção social" (359), é importante que ela esteja presente em todas as atividades da Igreja. "Por isso a doutrina, as normas, as orientações éticas, e toda a atividade missionária da Igreja devem deixar transparecer esta oferta atraente de uma vida mais digna, em Cristo, para cada homem e para cada mulher da América Latina e do Caribe" (361).

Esta missão deve estar voltada também para os "novos areópagos e centros de decisão". O mundo da mídia, dos construtores da paz, dos que lutam pelo desenvolvimento e libertação dos povos, sobretudo das minorias, pela promoção da mulher e das crianças, pela ecologia e proteção da natureza. Também o areópago da cultura, dos experimentos científicos, das relações internacionais (491), sem deixar de lado a pastoral do turismo e do lazer (493). Urge formar pensadores e pessoas situadas nos centros de decisão: empresários, políticos, formadores de opinião, dirigentes sindicais (492).

Mas também deve se dirigir aos pobres, através de opções e de gestos visíveis que busquem mudar sua situação. Trata-se de "um âmbito que caracteriza de modo decisivo a vida cristã, o estilo eclesial e a programação pastoral" (394 citando Novo Millenium Ineunte 49). Daí, o apelo por "uma renovada pastoral social para a promoção humana integral" expressa no VIII capítulo do Documento (8.4), bem como a nos voltarmos aos rostos sofridos: habitantes de rua, enfermos, drogados, migrantes, presos (8.6).

Toda a Igreja se encontra envolvida nesta missão em prol do Reino de Deus. Todo discípulo é missionário, pois ao se comprometer com Jesus Cristo, necessariamente já se vincula com sua missão. Portanto testemunhar a morte e a ressurreição salvíficas de Jesus Cristo "não é uma tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã" (144). A missão consiste mais em partilhar e comunicar uma experiência plenifícante na alegria e na gratidão (145). Esta afirmação volta continuamente ao longo do Documento conforme os variados temas vão sendo tratados. Uma afirmação que vale assim para todo o Povo de Deus, a começar pêlos bispos juntamente com suas respectivas dioceses, que devem "robustecer sua consciência missionária", indo ao encontro dos afastados da vida eclesial  através  de  uma pastoral  orgânica renovadana  qual  todos  os  da  diocese, independente de seus carismas, estejam inseridos (168 e 169). Também os párocos devem viver "num constante anseio de buscar os afastados e não se contentar com a simples administração" (201). "A V Conferência Geral é uma oportunidade para que todas nossas paróquias se tornem missionárias" (173). De fato, "todos os membros da comunidade paroquial são responsáveis pela evangelização de homens e mulheres em cada ambiente" (171). Para isso devem as paróquias "reformular suas estruturas para que sejam uma rede de comunidades e grupos, capazes de se articularem para que seus participantes se sintam e sejam, realmente, em comunhão, discípulos e missionários de Jesus Cristo" (172).

os diáconos permanentes devem se dedicar a "grupos humanos específicos e pastorais ambientais", bem como devem ser "apóstolos em suas famílias, em seus trabalhos, em suas comunidades e nas novas fronteiras da missão" (208). Os consagrados\as anunciam o Evangelho "através de sua presença, vida comunitária e obras", principalmente aos mais pobres, o que de fato se deu neste continente desde o início da evangelização. Deste modo colaboram "com a gestação de uma nova geração de discípulos missionários e de uma sociedade na qual a justiça e a dignidade da pessoa humana sejam respeitadas" (217).

O Documento deixa bastante explícito seu apelo por um laicato missionário. Devem ser formados para fazer frente aos desafios da atual sociedade, entrando no mundo complexo do trabalho, da cultura, das ciências e das artes, da política, dos meios de comunicação e da economia, enfim em contextos nos quais tormam presente a Igreja (174 e 210). Eles participam assim da "ação pastoral da Igreja, primeiramente pelo seu testemunho de vida e, em segundo lugar, com ações no campo da evangelização, da vida litúrgica e em outras formas de apostolado" (211). Por isso mesmo devem gozar de maior espaço de participação e serem incumbidos de ministérios e de responsabilidades para que possam viver de modo responsável seu compromisso cristão (211).

Só assim haverá uma efetiva corresponsabilidade e participação de todos os fiéis na vida das comunidades (368). Só assim, devidamente formados, poderão atuar como verdadeiros sujeitos eclesiais e competentes interlocutores entre a Igreja e a sociedade (497). Só assim poderão também assumir sua responsabilidade na vida pública (508). Portanto devem participar dos projetos pastorais diocesanos "no discernimento, na tomada de decisões, na planificação e na execução" (371), sendo assim "parte ativa e criativa na elaboração e execução de tais projetos" (213). O Documento observa, fazendo suas as palavras de Bento XVI em seu Discurso Inaugural (4), que há "uma notável ausência no âmbito político, comunicativo e universitário de vozes e iniciativas de líderes católicos de forte personalidade e de vocação abnegada que sejam coerentes com suas convicções éticas e religiosas" (502), lutando pela vida em todas as suas formas (503) e colaborando "na construção de uma cidade temporal de acordo com o projeto de Deus" (505). De fato, já nos acostumamos a assistir a uma imediata intervenção da hierarquia, sempre que surge algum problema que atinja a Igreja. Não vemos uma tomada de posição por parte de leigos católicos, conhecedores da matéria, que amadureçam a questão por seus pronunciamentos e debates, abrindo assim caminho para uma declaração posterior mais completa e profunda do bispo ou mesmo do episcopado. Naturalmente, além da correspondente liberdade para intervir, se requer uma formação adequada, o que não passou desapercebido aos bispos em Aparecida.

Reflexão feita por Mário de França Miranda


terça-feira, 26 de maio de 2015

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES DE 2015



Queridos irmãos e irmãs
O Dia Mundial das Missões 2015 se realiza no contexto do Ano da Vida Consagrada e recebe um estímulo para a oração e a reflexão. Na verdade, se todo batizado é chamado a testemunhar o Senhor Jesus proclamando a fé recebida como um presente, isso vale, de modo particular, para a pessoa consagrada, pois entre vida consagrada e missão existe uma ligação forte. O seguimento a Jesus, que determinou o surgimento da vida consagrada na Igreja, responde ao chamado a tomar a cruz e segui-Lo, a imitar a sua dedicação ao Pai e seus gestos de serviço e amor, e a perder a vida para reencontrá-la. Como a existência de Cristo tem um caráter missionário, os homens e mulheres que o seguem mais de perto assumem plenamente esse mesmo caráter.
A dimensão missionária, que pertence à própria natureza da Igreja, é intrínseca a todas as formas de vida consagrada, e não pode ser negligenciada sem deixar um vazio que desfigura o carisma. A missão não é proselitismo ou mera estratégia; a missão faz parte da “gramática” da fé, é algo imprescindível para quem escuta a voz do Espírito que sussurra “vem” e “vai”. Quem segue Cristo se torna missionário e sabe que Jesus «caminha com ele, fala com ele e respira com ele. Sente Jesus vivo junto com ele no compromisso missionário» (EG, 266).
A missão é ter paixão por Jesus Cristo e ao mesmo tempo paixão pelas pessoas. Quando nos colocamos em oração diante de Jesus crucificado, reconhecemos a grandeza do seu amor que nos dá dignidade e nos sustenta; e no mesmo momento percebemos que aquele amor que parte de seu coração transpassado se estende a todo o povo de Deus e a toda a humanidade; e assim sentimos também que Ele quer servir-se de nós para chegar cada vez mais perto de seu povo amado (cf. ibid., 268) e de todos aqueles que o procuram de coração sincero. No mandamento de Jesus: “ide”, existem cenários e sempre novos desafios para a missão evangelizadora da Igreja. Nela, todos são chamados a anunciar o Evangelho por meio do seu testemunho de vida; e os consagrados, especialmente, são convidados a ouvir a voz do Espírito que os chama para ir rumo às grandes periferias da missão, entre as pessoas que ainda não receberam o Evangelho.
O quinquagésimo aniversário do Decreto conciliar Ad gentes nos convida a reler e a meditar esse documento que despertou um forte impulso missionário nos Institutos de vida consagrada. Nas comunidades contemplativas, retomou luz e eloquência à figura de Santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões, como inspiradora da ligação íntima da vida contemplativa com a missão. Para muitas congregações religiosas de vida ativa, o anseio missionário que surgiu do Concílio Vaticano II se concretizou com uma abertura extraordinária para a missão ad gentes, muitas vezes acompanhada pelo acolhimento a irmãos e irmãs provenientes de terras e culturas encontradas na evangelização, de modo que hoje se pode falar de uma interculturalidade difundida na vida consagrada. Por esse motivo, é urgente repropor o ideal da missão em seu centro: Jesus Cristo, e em sua exigência: o dom total de si ao anúncio do Evangelho. Não pode haver tratativa sobre isto: quem, pela graça de Deus, acolhe a missão, é chamado a viver de missão. Para essas pessoas, a proclamação de Cristo nas várias periferias do mundo se torna o modo de como viver o seguimento a Ele e a recompensa de muitas dificuldades e privações. Toda tendência que desvia dessa vocação, mesmo que acompanhada por motivos nobres relacionados com as muitas necessidades pastorais, eclesiais e humanitárias, não é coerente com o chamado pessoal do Senhor para servir o Evangelho.
Nos Institutos missionários, os formadores são chamados tanto a indicar com clareza e honestidade essa perspectiva de vida e ação, quanto a influir no discernimento de vocações missionárias autênticas. Dirijo-me de modo especial aos jovens, que ainda são capazes de testemunhos corajosos e atitudes generosas e por vezes contracorrentes: não deixem que lhes roubem o sonho de uma missão verdadeira, de doar-se ao seguimento a Jesus que requer o dom total de si. No segredo de sua consciência, pergunte-se o motivo pelo qual escolheu a vida religiosa missionária e meça a disponibilidade em aceitá-la por aquilo que é: dom de amor a serviço do anúncio do Evangelho, lembrando que, antes de ser uma necessidade para aqueles que não o conhecem, o anúncio do Evangelho é uma necessidade para quem ama o Mestre.
Hoje, a missão enfrenta o desafio de respeitar a necessidade de todos os povos poderem recomeçar de suas raízes e salvaguardar os valores de suas respectivas culturas. Trata-se de conhecer e respeitar as outras tradições e sistemas filosóficos e reconhecer, em cada povo e cultura, o direito de fazer-se ajudar por sua tradição na inteligência do mistério de Deus e no acolhimento ao Evangelho de Jesus, que é luz para as culturas e sua força transformadora.
Dentro dessa dinâmica complexa nos perguntamos: “Quem são os destinatários privilegiados do anúncio evangélico?” A resposta é clara e a encontramos no próprio Evangelho: os pobres, os pequenos e os enfermos, aqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, aqueles que não podem te retribuir (cf. Lc 14,13-14). A evangelização dirigida preferencialmente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer: «Existe um vínculo inseparável entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos nunca sozinhos» (EG, 48). Isso deve ser claro, especialmente para as pessoas que abraçam a vida consagrada missionária: com o voto de pobreza se escolhe seguir Cristo nessa sua preferência, não ideologicamente, mas como Ele, identificando-se com os pobres, vivendo como eles na precariedade da existência cotidiana e na renúncia de todo o poder para se tornar irmãos e irmãs dos últimos, levando-lhes o testemunho da alegria do Evangelho e a expressão da caridade de Deus.
Para viver o testemunho cristão e os sinais do amor do Pai entre os pequenos e os pobres, os consagrados são chamados a promover, no serviço da missão, a presença dos fiéis leigos. O Concílio Ecumênico Vaticano II afirmou: «Os leigos colaboram na obra de evangelização da Igreja, participando como testemunhas e como instrumentos vivos da sua missão salvífica» (AG, 41). É necessário que os consagrados missionários se abram sempre mais corajosamente para aqueles que estão dispostos a colaborar com eles, mesmo que por um tempo limitado, por uma experiência a campo. São irmãos e irmãs que desejam partilhar a vocação missionária inerente ao Batismo. As casas e estruturas das missões são lugares naturais para o seu acolhimento e apoio humano, espiritual e apostólico.
As Instituições e Obras missionárias da Igreja estão totalmente a serviço daqueles que não conhecem o Evangelho de Jesus. Para realizar de maneira eficaz esse objetivo, elas precisam dos carismas e do compromisso missionário dos consagrados, mas também os consagrados precisam de uma estrutura de serviço, expressão da solicitude do Bispo de Roma para garantir a koinonia, de modo que a colaboração e a sinergia sejam partes integrantes do testemunho missionário. Jesus colocou a unidade dos discípulos como uma condição para que o mundo creia (cf. Jo 17, 21). Essa convergência não equivale a uma submissão jurídico-organizacional a organismos institucionais ou a uma mortificação da fantasia do Espírito que inspira a diversidade, mas significa dar mais eficácia à mensagem do Evangelho e promover a unidade de propósitos que é também fruto do Espírito.
A Obra Missionária do Sucessor de Pedro tem um horizonte apostólico universal. Por isso precisa também dos muitos carismas da vida consagrada, para se dirigir ao vasto horizonte da evangelização e ser capaz de garantir uma presença adequada nas fronteiras e territórios alcançados.
Queridos irmãos e irmãs, a paixão do missionário é o Evangelho. São Paulo afirmou: «Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!» (1 Cor 9,16). O Evangelho é fonte de alegria, libertação e salvação para todos os homens. A Igreja é consciente desse dom, por isso não se cansa de proclamar incessantemente a todos «o que era desde o princípio, o que ouvimos e o que vimos com os nossos olhos» (1 Jo 1,1). A missão dos servidores da Palavra - bispos, sacerdotes, religiosos e leigos - é colocar todos, sem exceção, em relação pessoal com Cristo. No imenso campo da ação missionária da Igreja, todo batizado é chamado a viver bem o seu compromisso, segundo a sua situação pessoal. Os consagrados e consagradas podem dar uma resposta generosa a essa vocação universal a partir de uma intensa vida de oração e união com o Senhor e com o seu sacrifício redentor.
Confio a Maria, Mãe da Igreja e modelo de missionariedade, todos aqueles que, ad gentes ou no próprio território, em todos os estados de vida, colaboram com o anúncio do Evangelho e, de coração, concedo a cada um a Bênção Apostólica.
Vaticano, 24 de Maio – Solenidade de Pentecostes – de 2015.
Papa Francisco

Missão Ad Gentes



A missão aos povos sempre foi, é e sempre será a grande tarefa da Igreja, assumida por suas comunidades às vezes com certa resistência. Repetidas vezes se tenta minimizar, postergar ou até depreciar esse desafio, com a desculpa‐urgência que a missão está aqui no nosso meio, ou que a missão passou a ser outra coisa. Acabar com a missão ad gentes é acabar com a graça da missão. Assim como a palavra “missão”, também a palavra “míssil” vem da mesma raiz “missio”, que quer dizer “envio”. O míssil não é feito para ficar parado. Da mesma forma a Igreja também não é feita para ficar apenas constituída em suas instituições, em seus assentos e em suas estruturas: ela foi criada para pegar fogo e se lançar ao mundo. Essa é sua natureza!

Talvez o receio de invadir o espaço do outro, de importunar as culturas, de promover sem
querer uma conquista espiritual com as melhores das intenções, nos leve a um preconceito e a uma relutância contra essa perspectiva. Os traumas e as cicatrizes do passado contam de profundas feridas na alma dos nossos povos. É uma história que não gostaríamos de repetir sem mais nem menos.

É fundamental, como dissemos, ter discernimento, atitude penitencial e aprender a prestar
atenção às assimetrias criadas por sensos de superioridade e aproximações voluntaristas. Por outro lado, o Pe. Comblin nos convida também a essa interessante reflexão:
“A irredutibilidade das culturas tende a desanimar toda tentativa missionária. Em certos
casos, ela levou a propor certas posições pastorais que são válidas até certo ponto e de modo muito relativo. Assim a evangelização do semelhante pelo semelhante. O evangelho tende a mostrar que, muito pelo contrário, a evangelização radical é obra do estrangeiro. 

Uma mensagem comunicada pelo semelhante ao semelhante reduz‐se facilmente a um puro monólogo. O interlocutor ouve‐se a si mesmo e encontra prazer e satisfação na palavra, porque ele se ouve e se reconhece. Com essas condições não há evangelização possível. Pois esta vem da parte de fora e exige que o sujeito se abra a uma novidade e esteja disposto a romper os seus hábitos mentais e vivenciais. Jesus foi um estrangeiro, e todos os missionáriostambém aparecem como estrangeiros. Não procuram ocultar essa condição. Jesus não quis atenuá‐la no caso dos seus discípulos: não os mandou para os seus semelhantes e sim para todas as nações do mundo cuja cultura lhes era completamente alheia”.

E continua: “Crer na missão é também crer que há em todas as pessoas uma abertura fundamental, uma capacidade de recepção de mensagens situadas além da cultura, um apelo virtual a uma luz própria. Crer na missão é crer que a pessoa não fica presa dentro da sua cultura, isto é, dentro de uma personalidade autônoma e fechada”.25

Que o Espírito do Senhor nos ensine sempre a crer firmemente na missão, a não viver uma fé introvertida e intimista, e nos abra continuamente as portas para sair de nós mesmos, de
nossas comunidades e movimentos, de nossas paróquias e de nossas dioceses. “Para nos
converter e uma Igreja cheia de ímpeto e audácia evangelizadora, temos que ser de novo
evangelizados” (cf. DAp 549) no encontro com os povos, com os outros, com os pobres, além de toda fronteiras, como discípulos missionários comprometidos com a transformação do Brasil para um mundo melhor.

Pe. Estêvão Raschietti, sx

domingo, 24 de maio de 2015

Dia Mundial das Missões 2015


Neste domingo de Pentecostes, foi publicada a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões, que ocorre a 18 de Outubro próximo.
O Papa afirma que a missão não é “proselitismo”, nem “mera estratégia” , mas sim parte da “gramática da fé”, e por conseguinte, Paixão por Jesus, pelas gentes, pelo Evangelho.
A mensagem articula-se em quatro eixos procurando falar ao coração de cada um.
Neste Ano da Vida Consagrada, e no 50º aniversário da Decreto conciliar “Ad Gentes”, o Papa chama a atenção para a forte ligação entre a missão e os consagrados, recordando que “quem segue Cristo não pode senão tornar-se missionário”. Pondo-se, portanto, à escuta do Espírito Santo, “aos consagrados é pedido para irem em direcção às grande periferias da missão”, lá onde o Evangelho “não chegou ainda às gentes” .
Quem é missionário, prossegue o Papa, deve doar-se totalmente ao anuncio do Evangelho e nisto não há compromissos: há que viver a missão; qualquer tendência a afastar-se desta vocação “não se coaduna com a chamada do Senhor ao serviço do Evangelho”. Daí que o Papa se dirija aos formadores dos Institutos missionários pedindo-lhes “clareza e honestidade” ao indicar as perspectivas da missão e firmeza no “discernimento de autenticas vocações missionárias”
Aos jovens o Papa convida a “não se deixarem roubar o sonho de uma missão verdadeira (…) que implique o dom total de si”, porque o anuncio do Evangelho “antes de ser uma necessidade para aqueles que não o receberam ainda, é uma necessidade para quem ama Jesus”.
Aos consagrados o Papa pede para “promoverem no serviço da missão a presença dos fieis leigos”, “abrindo-se corajosamente perante quantos estão dispostos a colaborar”, mesmo que por pouco tempo para “uma experiencia de campo”. Com efeito a vocação missionária é “ínsita no Baptismo” e diz respeito a todos.
Em terceiro lugar, o Papa indica como desafio primário da missão hoje, “respeitar a necessidade de todos os povos de partir das próprias raízes e salvaguardar os valores das respectivas culturas”. Dessas raízes devem partir para compreender o mistério de Deus e o anuncio  evangélico. O Papa recorda ainda que “os destinatários privilegiados do anuncio evangélico são os pobres, os pequenos, os enfermos, os desprezados, os esquecidos”, porque “existe um vínculo inseparável entre fé e os pobres”.
Optar preferencialmente pelos pobres - prossegue o Papa – não significa agir “ideologicamente”, mas sim ”identificar-se com os pobres come fez Jesus (…) tornando-se irmãos dos últimos, levando-lhes “a alegria do Evangelho e a caridade de Deus”.
Finalmente o Papa sublinha a importância da “colaboração e da sinergia” entre o bispo de Roma e as Instituições e as Obras missionárias da Igreja, por forma a garantir a comunhão. Isto sem submissão ou prejuízo da diversidade. Significa, isso sim,  dar maior eficácia à mensagem evangélica e promover aquela unidade de intentos, frutos do próprio Espírito.
A “obra missionária do Sucessor de Pedro tem um horizonte apostólico universal – explica o Papa. Por isso precisa dos numerosos carismas da vida consagrada para “assegurar uma presença adequada nas fronteiras e nos territórios a que já se chegou” .
O Papa concluiu a sua mensagem com o convite a dar vida a uma Igreja que “não se canse de anunciar incessantemente” o Evangelho, porque no fundo “A missão dos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos é a de pôr todos, sem exclusão de ninguém, em relação pessoal com Cristo” . 
Obs.: em breve publicaremos a mensagem na íntegra.

sábado, 23 de maio de 2015

Nossa missão é...

Grato eu estou Senhor porque me confiaste a missão de proclamar o seu eterno amor! Mesmo sendo tão pequeno, me deste autoridade de em seu nome anunciar a paz e a liberdade...


sexta-feira, 22 de maio de 2015

A MISSÃO!





A missão vem do PAI: “O Pai que está no céu não quer que se perca um só destes pequeninos” (Mt 18,24). É Ele o dono da messe, o proprietário da vinha que envia seus servos a trabalhar e recolher os frutos. Para isso Ele precisa de muitos operários.

A missão vem do FILHO: “Deus amou de tal maneira o mundo que lhe deu seu filho único para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Jesus apresenta-se como o missionário do Pai. A Ele o Pai deu “todo o poder”.

A missão vem do ESPÍRITO SANTO: “Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas até os confins do mundo” (At 1,8). Sem o Espírito Santo a obra missionária do homem não vale nada. É o Espírito Santo que distribui os carismas para a utilidade de todos e inspira a vocação missionária.

A função da Igreja, através de todos os batizados, é realizar a missão de Jesus: ser mediadora, ser fiel, encarnada na realidade, doar-se completamente, até o martírio... A Igreja deve pregar a boa nova a todos os homens!

Missão é paixão! Cristo quer cristãos apaixonados por Ele, pelo seu Reino, pelos esquecidos do mundo inteiro... Assim como Paulo, Francisco Xavier, Teresinha, Madre Teresa de Calcutá, inúmeros missionários dos cinco continentes, que partiram de nossas comunidades... Se sentiram levados e animados por essa paixão.




“O missionário
deve ter consciência
de que trabalha numa obra

de altíssimo mérito,
mas árdua e penosa.
Ele deve ser como a pedra
escondida debaixo da terra.
Ela talvez nunca venha à luz, 
mas faz parte dos alicerces
de um novo e imenso sacrifício.
O Missionário
deve estar disposto
a ocupar o último lugar.
Isso muitas vezes significa
trabalhar, cansar e suar
sem que ninguém fique 
sabendo o que ele faz,
a não ser Deus.”



Daniel Comboni