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quarta-feira, 17 de junho de 2015

O ARDOR MISSIONÁRIO



Para Jesus Cristo, a missão nasce do amor. Quando, após a Ressurreição, o Divino Salvador envia os discípulos para anunciar a Boa Nova da Paz, manifesta a sua vontade de que todos conheçam e coloquem em prática os seus ensinamentos.
Sua intenção é de dar ao mundo condições de uma Vida nova, que prepare a plenitude da vida eterna e feliz. Diante de um mundo mergulhado na desigualdade social, na violência, na rivalidade e na desordem de valores, Jesus traz a todos sua mensagem de perdão dos pecados, de reconciliação e partilha fraterna.

A proclamação do Evangelho é para Deus o caminho de uma conversão nas atitudes pessoais e no relacionamento entre grupos, povos, nações. A ação de Deus é pedagógica. Educa-nos para o respeito, estima e amor gratuito e introduz, assim, no coração humano, um dinamismo de reconciliação, concórdia e paz.

Cabe aos discípulos de Jesus discernir os “sinais dos tempos” e perceber onde são chamados a atuar pelo testemunho e pela palavra. Na atual conjuntura torna-se necessário iluminar com o Evangelho o valor da vida humana, desde o primeiro momento de sua concepção até seu termo natural. A dignidade de cada pessoa, à luz do amor a Deus, precisa ser cada vez mais defendida e promovida numa sociedade que continua gerando milhões de excluídos sociais.

Todos os cristãos, mas especialmente os líderes, são chamados a refletir sobre a especial missão que lhes compete. Quando a vida humana é colocada em constante risco por agressões, seqüestros, ações exorbitantes de poderio militar, atos covardes de terrorismo contra inocentes, aumento da miséria e pesquisas científicas sem critério ético, temos o dever de reafirmar a dignidade e inviolabilidade da vida humana, dom de Deus.

Em nosso País há algo de característico em relação à missão evangelizadora. Somos uma nação iluminada pela revelação cristã e com séculos de vivência católica. Temos, assim, a sedimentação histórica dos valores evangélicos da família, da convivência fraterna, do respeito ao pluralismo, da integração da etnia e nacionalidade, da capacidade de perdão e outras marcas da mensagem de Cristo. Frente às demais nações, somos chamados a manifestar nossa fé e anunciar a outros grupos sociais a beleza e a força transformadora do Evangelho.

A missão de evangelizar é, assim, fruto do zelo em oferecer a outros os ensinamentos de Jesus. O zelo missionário é a expressão de nossa vontade de fazer o bem aos que ainda não conhecem a beleza insuperável da misericórdia e do perdão de Jesus Cristo.

É a hora de muitos jovens assumirem a alegria da missão nos ambientes em que vivem, difundindo a Boa Nova de justiça e de concórdia. Unamos nossas preces para que Deus abençoe ainda mais a generosidade de nossos jovens. Nossa Mãe e Senhora os anime e ajude. Possam, com entusiasmo, alegria e coragem levar a muitos outros povos a beleza incomparável do Evangelho.

Dom Luciano Mendes de Almeida


domingo, 31 de maio de 2015

Paróquia Missionária - parte 1



Objetivo:
Tornar a paróquia mais missionária, a partir de cada comunidade, suscitando e formando discípulos missionários numa dinâmica multiplicadora entre setores e CEBs.

Metodologia:
De que forma? Oração, Palavra de Deus, setorização e ação missionária de cada comunidade para “Que todos sejam um – (Jo 17,21)”. 

Desenvolvimento:
 O primeiro passo é explicar às lideranças da paróquia (CPP, CPC, CAEP) sobre o desenvolvimento do projeto. O segundo passo é suscitar um grupo de pessoas, a nível paroquial, para formação prevista. Esse grupo será o responsável em ajudar a comunidade escolhida a viver o processo missionário. O processo, numa única comunidade, pode demorar um ano ou mais. Depois que essa comunidade passar por todo o processo, irá ajudar outra (s) comunidade (s) a vivê-lo. Nisso se dá a dinâmica multiplicadora. O tempo que se levará para que todas as comunidades passem pela experiência na paróquia não pode ser acelerado. É preciso que a experiência seja bem vivida e experimentada. Lembrando que este projeto não é uma pastoral ou movimento a mais na paróquia, sim uma união de todas as pastorais e movimentos.

O objetivo é colocar todas as pastorais, movimentos e forças da comunidade em estado de missão permanente e suscitar discípulos missionários que atuem na sua comunidade e, depois, em outras. A metodologia prevê a discussão e elaboração paroquial conjunta do processo, formação e reflexão com CPP,CPC, CAEP e quem quiser participar. Não é saudável que o pároco, religiosos ou alguns poucos escolhidos pelo pároco sejam mentores do processo. Depois, formação para o grupo que vai ser o responsável pelo projeto a nível paroquial. 

Tal etapa nós chamamos de “Primeiro Anúncio”. Este Anúncio pode ter até três momentos, dependendo da assimilação do conteúdo pela comunidade. Todos são convidados a participar da elaboração do projeto missionário, refletindo e opinando sobre temas, agenda e caminhos a serem feitos. É momento em que se busca formar setores e CEBs (pequenas comunidades) na comunidade. O processo poderás ser diferente em cada comunidade. O importante é respeitar o objetivo, que é a suscitação de setores e pequenas comunidades para se viver a fé. O processo é mutável, não sagrado. 

O “Segundo Anúncio” é a vivência da Palavra de Deus e a continuação da formação do discipulado em CEBs (pequenas comunidades) missionários. 

O “Terceiro Anúncio” é a celebração da caminhada numa unidade de setores e CEBs. 

O “Quarto Anúncio” é a perseverança da caminhada dos setores e CEBs e, possivelmente, a efetivação destes como comunidade. A previsão é que há mais segurança para ajudar outra comunidade a viver o mesmo processo. Aqui se configura a missionariedade permanente paroquial pela ação missionária constante: fora e dentro da comunidade.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

VIVER E COMUNICAR A VIDA NOVA EM CRISTO




Então, em primeiro lugar, o que é “missão” para o DAp? A terceira parte do texto responde logo de

cara a essa pergunta retomando Ad Gentes 2: “‘A Igreja peregrina é missionária por natureza,

porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai’ (AG 2).

Por isso, o impulso missionário é fruto necessário à vida que a Trindade comunica aos discípulos”

(DAp 347).

A primeira novidade da declaração conciliar está na palavra “natureza” que quer dizer “essência”: a

Igreja é missionária por sua “essência”. Essa essência é a própria essência de Deus, porque “este

desígnio brota do ‘amor fontal’, isto é, da caridade de Deus Pai” (AG 2). Em outras palavras, a

missão vem de Deus porque Deus é amor, um amor que não se contém, que transborda, que se

comunica, que sai de si já com a criação do mundo, e conseqüentemente ao pecado da humanidade,

com a história da salvação para reintegrar as criaturas na vida plena do Reino. Esse transbordar

histórico da Trindade Imanente foi chamado de Trindade histórico-salvífica que configura a missão

de Deus (missio Dei). De alguma forma, o próprio Deus se auto-envia pela missão do Filho e do

Espírito, através dos quais o próprio Pai se revela como amor (cf. Jo 14,9).2 Em suma, Deus é

missão: a missão existe com Deus, diz respeito ao que Deus é e não, primeiramente, ao que Deus

faz. Por tabela, a missão da Igreja não teria, a princípio, um seu por quê, não surgiria de uma

necessidade histórica de sobrevivência ou de domínio, mas é um impulso gratuito, de dentro para

fora, que tem como origem e finalidade a participação à vida divina (cf. DAp 348).

A segunda palavra mágica é “missionária”. A Igreja é por sua natureza missionária. Isso constitui

uma revolução no próprio conceito de Igreja, que procede da missio Dei. Não é mais a Igreja que

envia missionários em qualidade de “missionante”, mas é ela própria enviada como “missionária”.

Seu envio não é conseqüência: é essência. A Igreja “é” ao ser enviada: se edifica em ordem à

missão. Não é a missão que procede da Igreja, mas é a Igreja que procede da missão de Deus. A

missão é antes de tudo: eis a mudança de paradigma. A eclesiologia, portanto, não precede a

missiologia.3 A atividade missionária não é tanto uma ação da Igreja, mas é simplesmente a Igreja

em ação. Ou como, diria Moltmann, “não é uma igreja que ‘tem’ uma missão, mas ao contrário, na

 missão de Cristo que se cria uma Igreja. Não é uma missão que deve ser compreendida a partir da

Igreja, mas o contrário”.4 Nisso se define a própria identidade da Igreja.

Logo em seguida, depois de apresentar o fundamento da missão, o DAp fala de sua finalidade: “a

grande novidade que a Igreja anuncia ao mundo é que Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, a

Palavra e a Vida, veio ao mundo para nos fazer ‘participantes da natureza divina’ (2 Pd 1,4), para

que participemos de sua própria vida” (DAp 348).

No que consiste essa “participação da natureza divina”? Em substância é participação à missão,

“essência” de Deus. Participar de Deus é participar da própria vida de Jesus, de sua missão de estar

a serviço do Reino da vida, oferecendo a vida plena para todos: esse é o conteúdo fundamental da

missão (cf. DAp 361). O Evangelho de Jesus é sua própria vida: traz a boa nova de um Deus Pai,

humano, próximo a qualquer pessoa, libertador da opressão. O nome Jesus quer dizer “Deus salva”:

“Ele é o único Libertador e Salvador que, com sua morte e ressurreição, rompeu as cadeias

opressivas do pecado e da morte, revelando o amor misericordioso do Pai e a vocação, dignidade e

destino da pessoa humana” (DAp 6).


Pe. Estevão Raschietti